quarta-feira, 15 de abril de 2020

Não nascemos todos Samurais


Certa vez eu aprendi que um Haikai é um pequeno poema. O samurai, antes de praticar o seppuku (ritual de honra quando o samurai perdia um combate, suicidando-se em seguida), escrevia um último e breve poema para então se entregar à morte.

Às vezes penso em como é precioso poder dar ao mundo sua última contribuição de beleza ante de se despedir para os outros jardins. Quanto gracejo às portas da grande passagem. Mas, nem todos nascemos samurais. Nem todos teremos a oportunidade de nos despedirmos. Enfim, nunca estamos preparados.

Logo, pelo sim e pelo não, deveríamos escrever um Haikai a cada vão momento, pois, por mais simples que tal momento pareça, jamais saberemos quando será o último.

Até a próxima!

terça-feira, 14 de abril de 2020

Sentado, calado, rezando.
Pedindo a Deus, quem sabe, a cura,
brandura, candura, ternura.
Que limpe tudo antes do inverno
para que o purgatório seja terno
e não se transforme em inferno.
Basta deste sofrimento!
Será que peço a contento
que o povo  receba o alento?
E então me entrego à poesia.
O que achas mais que eu faria?
A quarentena seguia e eu aqui
na esperança de um novo dia.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Um Dia de Outono

Um dia de outono como o de hoje me faz adentrar numa grande sala com muitas prateleiras de nostalgias. Pego-as com mãos quentes, abraço-as marejadamente. E o coração se torna leve. Espaços que, apesar de velhos me renovam, jamais ultrapassados, pois têm um grande significado em minha vida. O antigo nos regenera de momento a momento... Ou por pessoas que nos marcaram, ou por caminhos por onde passamos, ou por cicatrizes que trouxemos, ou por batalhas que vencemos...

Só se sente saudade do que é bom. E o bom não precisa ser mais eterno do que o tempo que durar. Só se chora de saudade, não por fraqueza, mas porque se é forte e se assume o quanto se ama. E o amor não é passível de críticas e nem de condenações.

Eu não gosto de chorar. Prefiro sentir nostalgia. Elas me deixam leve. Nostalgia, para mim, é sentir cócegas na alma. Dá vontade de sorrir. Não sinto nem dor e nem falta de nenhuma delas. Carreguei-as enquanto precisei, enquanto nos precisávamos. Cumprimos juntos nossa missão. Hoje estão guardadas nesta sala cuja chave está escondida nos dias mais frios. É mais fácil encontrá-la nos outonos.

Os tempos quentes e os dias muito claros enegrecem meus pensamentos. Quem consegue polir suas nostalgias enquanto se abana de calor?

O frio do outono aquece os meus gélidos medos do presente porque me fazem lembrar de momentos em que eu superei. E superar vem de ser superior. Fui super, fui maior... Maior do que meus medos, minhas aflições e meus receios. Fui maior até do que as verdades que eu carregava.

O sol fraco me clareia os pensamentos. As noites, cada vez mais longas, não me impedem de acordar de madrugada, pois me permitem receber o dia seguinte de braços abertos parecendo, no entanto, que o aguardo cada dia mais cedo já que a manhã se demora um pouquinho mais para chegar todos os dias. E ela sabe que é responsável por aqueles que cativa. Por isso nunca falhou comigo um dia sequer.

Os pés gelados, o cobertor enrolado nas pernas, o silêncio das ruas, o amanhecer demorado, o café quentinho, o livro aberto que também me lê só confortam mais e mais o meu coração. Pois o outono vem dizendo que o frio mais frio ainda virá.

E se eu já gosto do outono, imaginem, então, do inverno onde as chaves da minha sala são ainda mais fáceis de encontrar...

sábado, 11 de abril de 2020

A Escola da Vida - Parte 2

Dizem que, na vida, enquanto não se resolve uma determinada questão ela se repete. Enquanto não se aprende na escola da vida, temos que repetir até conseguirmos assimilar a mensagem, captar o sinal, entender a referência.

Isso me abre uma brecha de dúvidas atordoantes. Pois, se seguirmos a mesma linha de raciocínio que explica que tudo se repete até que consigamos aprender o que se deve, a própria vida é, segundo a realidade do conceito apresentado, a repetição de algo que não conseguimos ainda compreender. Dito isto, dando continuidade ao pensamento, podemos supor que quando o que a vida estiver nos ensinando, de fato, tenha sido aprendido, a vida se acaba (acaba?).

Ora, e se ela se acaba, será que terminaram os aprendizados? Ou será que apenas o aprendizado desta vida se concluiria e tão logo terminamos esta, uma nova experiência se abrirá na tela de nossa existência?

Será também que aqueles que se suicidam, assim o fazem porque concluíram já o seu aprendizado? E os natimortos? E os abortados? Enfim, existem muitas questões que se desencadeiam a partir de uma simples afirmativa como esta. Está, contudo, fora de minha alçada conseguir responder plausivelmente a qualquer um dos argumentos anteriores.

O que posso afirmar com toda a certeza é que ela - a vida - precisa, ao menos, valer a pena. Sim, viver honrosamente possui lá as suas penas. Pois partindo do princípio que para viver digna e honestamente em nossa sociedade atual precisamos cumprir com certas obrigações acadêmicas,  econômicas, financeiras, sociais e pessoais entre  outras, podemos entrar num consenso de que nem tudo o que precisamos realizar é agradável a todos. Penso (e acredito que você também possa concordar) que levantar-se de sua cama quentinha bem cedo para trabalhar (incluindo nesta lista o fato de lidar com aqueles que pensam diferentes de você, enfrentar filas, ônibus lotado, chuva, frio ou calor etc) não é algo agradável a todas as pessoas. Apesar de que tal realidade possa agradar a alguns, tenho minhas dúvidas de que tal seja a primeira preferência de toda a humanidade. Sendo este apenas um exemplo, continuemos o raciocínio.

O ser humano digno e honesto paga suas "penas" para obter os frutos que deseja. Pois não existe nada absolutamente grátis. Se você quer dinheiro deve trabalhar ou, se preferir, cumprir sua missão para que o obtenha. Se quer aprender algo novo, precisa estudar etc etc etc. Acho que você entendeu onde quero chegar.

Continuando nosso raciocínio, será que o que você tem vivido, experimentado, gozado tem realmente valido a pena? Esta é uma resposta que, apesar de pessoal, possui um questionamento que deveria/poderia ser usado por todas as pessoas. Será mesmo que o que você tem vivido em seu trabalho, em seus estudos em suas relações tem valido a pena?

Depois das obrigações cumpridas, você tem sido feliz, tem gozado, tem relaxado? Pense bem. Quem sabe seja essa a mensagem, a informação, a referência que a vida está tentando lhe ensinar. E se você não morrer depois disso é porque você ainda tem mais coisas a aprender.

Oi! Tem alguém aí? Pensar faz bem... Pense!
Um abraço!

Não nascemos todos Samurais

Certa vez eu aprendi que um Haikai é um pequeno poema. O samurai, antes de praticar o seppuku (ritual de honra quando o samurai perdia u...