Tão difícil quanto passar pela doença é se sujeitar à cura. Pois muitos se acostumam às bajulações e aos olhares de pena que lhes são oferecidos por aqueles que observam sua dor. Acostumam-se com o conforto do leito sempre preparado e quentinho. Acostumam-se com aqueles que aceitam quietos suas lamentações e grosserias lançadas na justificativa de sua dor.
Conta-se que certa senhora definitivamente acamada vivia aos cuidados de sua filha que resolveu por dedicar a existência a dar conforto a tal mãe adoentada que não mais poderia se cuidar sozinha. Até que à certo dia depois de muitos anos de labor solidário, tal filha caiu morta consumida pela estafa. Após o triste fim de sua filha, a mãe que se dizia incapacitada levantou-se da cama e voltou a realizar seus afazeres da vida cotidiana. Um milagre?
Portanto, se alguém está sentindo dores que há muito não melhoram é importante perceber se o que falta para a cura não seja, quem sabe, a coragem para abandonar tudo aquilo de bom (se é que realmente seja bom) que a dor trouxe com ela. Existem dores que são verídicas de fato. Mas existem aquelas que só persistem porque são acolhidas com muito mais prazer do que a própria liberdade de uma vida saudável.
Estar saudável demanda responsabilidades. Demanda caminhar com as próprias pernas e tomar as próprias decisões.
Pensemos nisso...
Pensemos nisso...

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